AO revista

Revista literária editada pela Academia Onírica [Demetrios Galvão, Fagão, Laís Romero, Kilito Trindade, Thiago E e Valadares]. ISSN 2236653-9. AO revista 1 foi publicada em Teresina, em junho de 2011, contando com textos dos Oníricos, de colaboradores e convidados.

Jorge Mautner | entrevista e panfletos do kaos |
Roberto Piva | poema inédito |
Nicolas Behr | poemas |
Rubervam Du Nascimento | poema |
Carlos Emílio C. Lima | conto |
Durvalino Filho | poema |
Daniel Ferreira | conto |
Ranieri Ribas | poema |
Renata Flávia | poema |
Adriano Lobão Aragão | poemas |

| artigo sobre fanzine |

Elio Ferreira | poema |
Mardônio França e Katiusha de Moraes | poemas |
Francisco Denis Melo | contos  |

Joniel Veras | capa e artes plásticas |
Zorbba Igreja | projeto gráfico e diagramação |

Conselho editorial | Laís Romero, Demetrios Galvão, Kilito Trindade e Thiago E |


AO revista 2 foi publicada em dezembro de 2011 e lançada sexta-feira 13 de janeiro de 2012. Além dos trabalhos internos dos integrantes da Academia Onírica, contou com as seguintes colaborações:

Augusto de Campos | poesia e traduções |
Arnaldo Antunes | poemas |
Cláudio Willer | entrevista e poemas inéditos |
Jomard Muniz de Britto | atentados poéticos |
Estrela Leminski | poemas |
Solda | poema-cartum |

Movimento Literário Kuphaluxa
| grupo de jovens poetas africanos – de Moçambique |

Coletivo Diagonal | artigo sobre vídeo |
Paulo Machado | conto e poema-homenagem |
Amaral | texto-pós-leitura de insólito |
Airton Sampaio | conto |
Marleide Lins e Ksnirbaks | poemas |
Daniel Ferreira | conto |
Eduardo Jorge e Nuno Gonçalves | poemas |
Chacal Pedreira | poemas |, Ayla Andrade | conto |

Gabriel Archanjo | capa e artes plásticas |
Polyanna Galli | diagramação e projeto gráfico |

 

Grão, de Rogério Newton

Entrevista com Rogério Newton concedida a Adriano Lobão Aragão, em janeiro de 2012 e publicada originalmente na coluna Toda Palavra, jornal Diário do Povo

O cronista e poeta Rogério Newton, nascido em Oeiras e radicado em Teresina, autor de Ruínas da Memória (crônicas, 1994), Pescadores da Tribo (crônicas, 2001), Último Round (poesia, 2004) e Conversa escrita n’Água (crônicas, 2006), lançou recentemente Grão, seu novo livro de crônicas. A crônica puxou a conversa e a conversa segue adiante.

Por que Grão?

Fiz como nos livros anteriores: peguei uma das crônicas e dei título ao livro. Aprendi isso com os contistas da década de 70. Grão é um nome curtinho, sugestivo, tem um quê minimalista. Isso me agrada, pois ajuda a tornar o texto enxuto. E se a palavra é curta e polissêmica, melhor ainda.  Na verdade, é uma microcrônica. Levá-la para o título do livro é uma forma de me render à concisão.

Quase todos os textos do livro são voltados para o cotidiano, para uma realidade imediata. Entretanto, o texto Grão é justamente o que mais difere dos outros, seja por sua extensão mais reduzida, por sua temática e até mesmo o estilo, que se aproxima bastante do conto minimalista contemporâneo. Como você avalia esse aspecto?

Você tem razão ao aproximá-la do conto minimalista, e acho que isso atesta uma das possibilidades do gênero, que nem sempre fica adstrito ao que comumente se entende por crônica. Agora, a temática não deixa de ser ecológica (e nesse ponto essa crônica não difere de outras do livro), só que de uma perspectiva cósmica, isto é, a Terra vista do espaço, pequenina como um grão de milho. Acho que você captou bem o espírito da coisa: o vínculo direto que a crônica tem com o cotidiano não deve ser uma fronteira intransponível. Mas aí podemos indagar: qual o significado de “cotidiano”? É somente o circunstancial? A Terra completa seu giro todos os dias, dentro do oceano cósmico. Isso não é um fato cotidiano? 

Como está sendo a repercussão do livro?

A melhor repercussão que o livro poderia ter seria sua venda em livrarias e sua recepção pelo leitor e pela crítica. Que eu saiba, só há um livreiro em Teresina que tem apreço pelo autor local: é o Leonardo Dias.  Por isso, só deixei o livro na livraria dele. Entreguei também alguns exemplares ao Espaço Cultural São Francisco, no Mafuá, onde fiz um dos lançamentos. Mas confesso: não sei como distribuí-lo. Bom seria se tivéssemos um profissional que pudesse fazer esse trabalho. Como não conheço nenhum, uso o tradicional sistema amador, levando a obra aos lugares aonde vou. Gosto muito do contato direto com o leitor, de conversar com ele, saber o que ele pensa. Tenho recebido manifestações de pessoas que já me conhecem como cronista. Alguns escritores e leitores sinceros gostam do que escrevo e fazem questão de dizer para mim. Isso me alimenta. O feedback é vital para o escritor.

Como você avalia o atual panorama literário praticado no Piauí?

Alguns pontos de partida podem ser úteis para essa avaliação: o que se produz literariamente aqui? Como o escritor e o livro são recepcionados pela sociedade? Que instrumentos o Estado e a sociedade possuem para favorecer a criação literária, a editoração de livros e o acesso à cultura? Há o exercício de uma crítica militante? Falo de Teresina, pois desconheço a realidade nas outras cidades. Não sei exatamente quantos livros e revistas foram publicados em 2011, mas talvez tenham sido suficientes para não haver uma estagnação, como a do teatro, que vive uma situação preocupante. Duas editoras, a Nova Aliança e a Renoir, têm publicado – poucos títulos, é verdade -, mas o fato de existirem simultaneamente é algo inédito em Teresina. Acho positiva a ocorrência periódica do Salão do Livro, com todas as carências que possa ter. O surgimento da revista da Academia Onírica é um sopro de vitalidade. A continuidade da Desenredos é também um exemplo de vitalidade e rigor, que considero indispensáveis. O fato de Assis Brasil estar residindo entre nós, participando ativamente da vida literária, é um alento auspicioso. Além de grande escritor, é um exemplo de longevidade criativa que todos nós devemos celebrar. Em relação à participação do Estado, considero-a praticamente nula, e nesse ponto acho que há um retrocesso que já dura uma ou duas décadas. Tenho muita vontade de saber como se dá o ensino de literatura nas escolas, as abordagens usadas e principalmente as consequências desse ensino. Sobre uma crítica militante, acho que nunca a tivemos. Suplementos literários de jornais poderiam ser veículos para expressão da crítica especializada, mas não os há entre nós. O crítico também deveria ser um profissional remunerado para exercer seu trabalho.

P

Na garganta um sertão enjaulado

SILVA, Marcello. Na garganta um sertão enjaulado. Parnaíba: Edição do autor, 2022.
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GÊNESE

há um sertão em mim
que canta e sangra

antes do verbo era a poeira o frio no banho de cacimba
tamanho o calor e o criador fez descer o rio
alegre vadiando entre os mandacarus e deus viu e gostou
……….[e fez os piaus tilápias carás bodós
e depois por descuido criou o homem-mulher menino-homem
depois de maio o rio parou e empoçou água
no poço grande perto das pedras
que poção d’água pai-d’égua
e ali cresceu homem-mulher menino-homem
e veio outros de outras ilhas desse mar-sertão
fundiram-se no barro e imburana e brotaram mais e mais
……….[como mata-pasto em cada inverno
fez-se o éden nas ateiras e jatobás e cantos de xexéus sabiás

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APOCALIPSE

I

há um sertão em mim
que canta e sangra

ser parte metamorfose
ser seca chuva dualidade
todo sertanejo é antes de tudo sertanejo
face esquia corte na testa
sangue no braço cansaço na perna
e ao findar um sorriso explode
tão verdade que deus mora ali
entre os dentes falhos e nacos de rapaduras

ser rio ser pedra ser mormaço
ser poeira ser estrada de terra batida
quando pia a coruja canta a acauã
as primeiras águas descendo no ubatuba
serpenteando entre as pedras
é ser sertão
rompendo fronteiras além-mar

p

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Marcello Silva é contador, bacharel em Direito e escritor. Nasceu e cresceu na Fazenda Poção, zona rural de Chaval/CE. É Autor dos livros: Na Garganta um Sertão Enjaulado (3°lugar Prêmio Biblioteca Pública do Paraná 2021); Homo Cactus (2018); O Pescador (2015). Participações em dezenas de coletâneas e revistas pelo Brasil. Membro do Clube de Leitura Café do Cazuza; Coletivo Ágora Chaval; O Piagui; Piauí Poético, Academia Piauiense de Poesia etc. 
Site: www.marcellossilva.com.br
Instagram: @marcello_s_silva
E-mail: marcsantosilva@gmail.com

Lírios brancos

PACHECO, Félix. Lírios brancos (Poemas do lar). Rio de Janeiro: Jacintho Ribeiro dos Santos Editor, 1919.
 
Dividido em três seções, Ignezita, Martha e As três, todas com temáticas voltadas para o ambiente familiar. Ignezita e Martha já haviam sido publicadas anteriormente, em 1915 e 1917, respectivamente.

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MARTHA
VII
 
Querem saber agora de teu peso,
E amarram-te numa alça de balança.
Eu nunca vi medir-se uma esperança.
Um crime assim então não é defeso?
 
Olho a parteira, atônito e surpreso,
E ela, tranquila e natural, me afiança:
– É para ver a robustez da criança…
E ei-la, treslendo no índice reteso!
 
E, ao vê-la suspendendo o leve fardo,
E convencida assim do que imagina,
O meu olhar fuzila como um dardo.
 
Tolice! Não se pesa a luz divina.
Para mim, que sou pai e que sou bardo,
Não tem peso nenhum esta menina.
 

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AS TRÊS
XXXI
 
Porque era assim meu peito: ermo e vazio,
Rude trecho cavado e órfão de encanto,
Onde só se escutavam ais e pranto,
E tudo era negror, mistério e frio.
 
Corajosa, uma vez, por desfastio,
Atravessaste o inferno com teu manto.
A Terra de Ninguém floriu de espanto,
E banha-lhe hoje o seio um manso rio!
 
Quanto poder no amor e quanta força!
O que não faz um leão faz uma corça…
Tu mudaste em jardins o chão medonho…
 
A guarda azul dos meus dois anjos lindos
Vela os tesouros mágicos infindos,
E a Terra de Ninguém agora é sonho!
 

p

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Félix Pacheco (Teresina, 1879 – Rio de Janeiro, 1935) foi um jornalista, político, poeta e tradutor brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras.

A profissão dos peixes

NASCIMENTO, Rubervam Du. A profissão dos peixes. Teresina: Edição do autor, 1987.

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POR SINAL

não corro por ruas plantadas
como corre a maioria dos cavalos
com medo de ser atropelado
pela rosa
do círculo daurora

se alguém me diz
pare
eu respondo
passo

sou senhor do que faço

tenho têmporas e mais
orelhas perfuradas
por pingos de chuva

quando em malvadezas
aciono a máquina dos olhos
hospedo na parede
a fúria de meus donos

registro na boca dos papéis
voz encravada
na memória dos sábados

e se não aviso
sobre
o acontecido
a quem atravessa
a rua
em silêncio
as gargalhadas apavoram

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CAIXINHA DE NÓS

conheces o segredo da caixinha de nós?
pois eu te conto sobre a caixinha de nós
vivendo às custas do ser
que sou solitário
não serve o terraço cheio de amigos
ou trastes do mesmo artigo
eu não tenho jeito
sou inquilino de minha solidão

minha casa é meu bar
de provas curtas

sentadas juntas conversas e zangas
não me perguntes por nada
se o quarto tá cheio de irmãos
e visitas submissas
apenas instigo falas inalcançáveis
esquisitamente aberto a longas conversas
em meio a devoradores de sobejos
deixados na sequidão da pele

por misericórdia talvez por paixão
não persigo ninguém
pela noite a dentro

todos são vultos
inclusive os parentes
e o meu pai doente
pelos cantos do mundo da casa

guardam os empregos dos distantes
na empresa de sonhos que administram
e quando desempregados
enchem a mesa de fome
de pratos de prantos e pronto

percebeste o segredo da caixinha de nós?

P

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Rubervam Du Nascimento nasceu na ilha de Upaon-Açu, Maranhão, vive e trabalha em Teresina. Formado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Piauí. Compõe a editoria de literatura da revista de cultura Pulsar. Publicou colunas e artigos literários em revistas e jornais. É verbete da Enciclopédia de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa. Presidiu a União Brasileira de Escritores do Piauí – UBE/PI. Participou de coletâneas de poesias e contos nas décadas de 70 e 80. Livros individuais editados: A profissão dos peixes, 2ª edição, revista e diminuída (Editora Códice, 1993); Marco-Lusbel desce ao inferno (Blocos, 1997); Os cavalos de Dom Ruffato (Fundação de Cultura Cidade do Recife, 2005).

Asas de pedra

FERNANDES, Nayara. Asas de pedra. São Paulo: Edith, 2017.
– Poemas

[(10)]

a gente
não sabe
o que sente
sente que sabe
quando perde
a gente se perde

quando se encontra
se encontra somente
quando se perde

somos caminhos contínuos
sempre com as mesmas
passadas

[contrárias].

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[(15)]
meus pulsos nascem dos impulsos doutros peitos

ninguém me habita [a não ser os milagres]

matérias das imagnes marginadas de mim
mistério da memória inimaginável de vida

capaz de me nascer amor [amo das glórias]
ternurosas revoltas que abençoam o infecundo
sê cura dos sertões da alma que ama meus nadas

as sobras e as falhas as sombras e os buracos
sólidos líquidos males de um ser intratável

de um corpo hibride de um eu fantasma
com um coração às margens [ao deus dará]

deram-me a sorte de me perder entre os imperdíveis
deram-me a sorte de me distrair entre as traições
desses vívidos deste eixo deste pesadelo

às margens de mim fui feliz por acaso.

P

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Nayara Fernandes nasceu em Teresina, PI em setembro de 1988. É autora de Asas de pedra, lançado pelo Selo Edith. Tem poemas publicados em diversas revistas eletrônicas. Participou da coletânea Quebras – uma viagem literária pelo Brasil (Selo Edith 2015).

Areias

MOURA, Francisco Miguel de. Areias. 2.ed. São Paulo: Life editora, 2021.

ESPERA-ESFERA

Esperar… A virtude não se altera.
Esperando se perde, mas se alcança;
se a vida toda é círculo de espera,
não fiquemos aquém de uma esperança.

Eis a fórmula vital: Tanto se alcança
quanto mais o desejo põe-se à espera.
E nessa rítmica e terrível dança
compomos, decompomos nossa esfera.

Não cantemos perdidas esperanças.
Esses desgastes ficam nas andanças
das esferas, excêntricas esferas.

Alma sedenta, em que te desalteras?
– Mourejando no amor, de tantas eras,
cultiva o bem e espera as esperanças.

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PARÓDIA A CAMÕES
(Referência às revisões salariais da classe trabalhadora, em 1965)

Quantos anos de escravo “jó” servia
o patrão só por simples bagatela!
Mas servindo ao patrão, servia a “ela”,
enquanto o preço do feijão subia.

Os dias vinham, a esperança ia,
porque a fome era maior do que ela.
Mas o patrão mais duro, com cautela,
em lugar de aumentar, nem prometia.

Vendo o triste operário que com enganos
lhe era negada a “revisão”, embora
muito justa quisera, e merecida,

continua a servir… (mais quantos anos?)
dizendo: Só quisera que não fora
para a morte o “aumento”, mas pra vida.

p

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Capa: Hardi Filho, ilustração da 1ª edição, 1966

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Francisco Miguel de Moura nasceu em Picos, PI, em 1933. Publicou as obras Areias (poemas, 1966); Linguagem e comunicação (reunião de ensaios sobre a obra do romancista O.G. Rego de Carvalho, 1972); Pedra em sobressalto (poemas, 1974).

A música imóvel do tempo

FERREIRA, Climério. A música imóvel do tempo. Teresina: Fundação Quixote, 2021.

QUANDO EU ME ENCONTRAR

Quando tomo café
Às vezes lembro-me de alguma música
E fico me amaldiçoando por não saber cantar

Quando estou na praia
Sinto saudade de um rio manso
Correndo macio sob o arco da ponte

Quando a chuva cai forte
Sinto falta de um dia de sol
Iluminando o vermelho dos telhados

Qualquer dia hei de me encontrar
Exatamente onde estou
No momento em que vivo

E ao me encontrar me perguntarei
Pelas coisas que não estão comigo
Nesse exato agora

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A MÚSICA IMÓVEL DO TEMPO

O tempo está absolutamente parado
E eu não penso em nada
Deixo que a vida teça a sua música
Na pausa oculta deste instante

Isso é tudo o que me basta
A melodia do pensamento afinado
Ao suave ritmo das horas
Na pauta do tempo absolutamente imóvel

P

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Editor: Kássio Gomes
Capa e projeto gráfico: Antônio Amaral
Editoração eletrônica: Alcides Amorim

Teoria do simples

HARDI FILHO. Teoria do simples. Teresina: Projeto Petrônio Portella, 1986.

Poemas distribuídos em três seções: O entendimento, As emoções e Os atos.

MAKTUB

Para que eu fosse e visse a sumição
das rubras ondas circuloconcêntricas,
encheram-me de luz
os olhos terra
e pedra me lançaram neste mar.

Hoje um gado faminto me rumina
e minha face aquática se enruga;
plantaram-me, filhei,
virei pastagem,
criei fundas raízes neste mar.

Viver é simplesmente conduzir
dores dagora e dores do horizonte.
Um dia sem talvez
(está escrito)
serei à força expulso deste mar.

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MÓDULO 3

Não compactuar:

Com movimento de mãos
abertas para o que sobra;

com olhares premoldados
na forja da indiferença;

com protestos deglutidos
em senhoris curvaturas;

com pernas em marcar-passo
na guarda ou na retaguarda;

com caimento de braços
sem acordo coletivo;

com o silêncio das bocas
quando o grito é a salvação.

P

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Capa e ilustrações de Albert Piauí
Prêmio especial “Odilo Costa, Filho” – 1981. Academia Piauiense de Letras