Incertezas poéticas, Jota Cunha

CUNHA, Jota. Incertezas poéticas. Parnaíba: Edição do autor, 2022.

PEDRA

pedra
somente sólida
impenetrável e dura
quem diria ser uma ilha
pedra
indestrutível seca
de natureza insólita
uma lápide em sua lâmina
pedra
textura de pedra
pura invariável isolada
destino no que se diferencia
pedra
rija que a vida toda
reage e o sol esquenta
fixa despretensiosa bonita
pedra
lógica de pedra
sendo só o que é – em glória
sendo origem sendo tempo sendo pedra

phb–19.05.20

PERNAS

pernas recorte no espaço
desenhado no ar colírio
ritmo natural do desejo

pernas despretensiosas
apenas elas nelas mesmas
quase poemas que andam

pernas de tornos e contornos
postos em capas de caderno
de revistas e tetos de quartos

pernas de trazer e levar
corpo e olhos de amar
motor de luz saborizada

pernas no movimento redigem
e a poesia não esquece
nem os menores caracteres

os olhos testemunham úteis
só as pernas escrevem
o que a precisão não descreve

phb–24.06.20

 

P

Jota Cunha, Julcemir Oliveira Cunha, nasceu no município de Caxias, no povoado de Santana dos Nunes, estado do Maranhão. Em 1968 mudou-se para Teresina, PI. Em 1970 foi para o Rio de Janeiro, e de lá para Brasília, onde começou a trabalhar, e logo, depois de estabelecido, cursou Administração de Empresas na Católica de Brasília. Trabalhou na Embrater até 1990, quando mudou-se para Curitiba–PR, e trabalhou na UFPR até aposentar-se em 2010. Em 2017, quando mudou-se para Parnaíba, no Piauí, fez um apanhado em mais de 30 anos de rascunhos e publicou seu primeiro livro de poemas. Publica poesias, textos, vídeos e música através do instagram @incertezas_poéticas.