Insólito, de Demetrios Galvão

Entrevista com Demetrios Galvão concedida a Adriano Lobão Aragão, em janeiro de 2012, após a publicação de seu livro de poemas Insólito.

Adriano Lobão Aragão – Por que Insólito?

Demetrios Galvão – Gosto da palavra insólito primeiramente por sua sonoridade – breve, encorpada; segundo, porque a própria palavra realiza o seu significado e produz uma imagem bastante interessante, além do que é uma palavra pouco usada, o que lhe dá um ar vigoroso e ao mesmo tempo misterioso; terceiro, pela coincidência de já existir no conjunto dos poemas do livro um texto intitulado “insólito”, que funciona como se fosse um verbete, é um poema que começa assim “insólito: carregar cemitérios e ferrugens nos bolsos…”. Dá a impressão que o poema constrói o significado da palavra. Assim, é como se o poema produzisse novos sentidos para a palavra “insólito”, mas ao mesmo tempo, dialogando com o significado dela que quer dizer, na acepção do dicionário, “o incomum, o não habitual, o estranho”; por último, que o significado de “insólito” diz muito sobre a minha construção poética – a produção de imagens não habituais, estranhas. Pois me debruço sobre a criação de imagens-poéticas que foge do corriqueiro em um diálogo direto com as estratégias surrealistas de transfiguração do real. Então, faço o estranho virar a experiência do estranhamento, essa é uma das propostas do livro, como bem aponta o poeta Rubervam Du Nascimento na apresentação do livro.

Adriano – Trata-se de uma busca pela desautomatização da palavra?

Demetrios – Sei bem que os textos criam imagens e que as imagens também produzem textos. Mas no meu caso as imagens ocupam um lugar central e o meu esforço é em produzir imagens não habituais, através de um trabalho de deslocamento, de tirar as coisas que comumente tem lugar certo, estabelecido na prateleira cartesiana – nomeado, classificado, selecionado,… Dito isso, o estranhamento que procuro criar resulta de um trabalho de curto-circuito na linguagem – junção de mundos distantes para a feitura de um outro. Tento mobilizar a linguagem não para a realização do óbvio ou do “realista”, isso não me interessa. Mas pelo contrário, para transfigurar essa “realidade” e inventar outros mundos através da linguagem.

Adriano – Em que aspectos a poesia de Insólito se diferencia de Cavalo de Troia (2001) e Fractais Semióticos (2005)?

DemetriosCavalo de Troia é um livro em que a mensagem é mais forte que a linguagem em si, no caso, a poesia era só o meio. A escrita, na época, estava engajada com questões sociais, protestos, movimento Anarco-punk e poesia marginal. Esse foi um livro completamente artesanal, que eu fazia em casa com a ajuda do meu irmão e vendia em shows de rock, na universidade e em encontros de estudantes. Fractais Semióticos é um diálogo muito direto com os escritos beats, aquelas coisas de viajar e escrever sobre a estrada etc. Nesse livro, começa a existir uma preocupação com a linguagem. No período em que escrevi os poemas de Fractais Semióticos (2001 – 2002), conheci alguns poetas de Fortaleza e consolidei para mim, a ideia de ser poeta. Esse é um livro que tem poemas que vou levar para o resto da vida, pois há uma relação forte de poesia e experiência – experimentação. Insólito é algo que considero mais denso. Nesse momento, me preocupo bem mais com a linguagem e com as estratégias de criação, e o meu diálogo se torna mais próximo com o surrealismo. Insólito é um investimento poético-estético planejado. Mas em todos os meus livros, estou muito implicado nos textos, a primeira pessoa é presente – há um sujeito produzindo ações, há um envolvimento no campo das emoções. O percurso que se desenha é de uma maior compreensão do papel da linguagem, articulando intensidade e o fluxo espontâneo.

Adriano – Então, poesia e vida são indissociáveis?

Demetrios – Na minha produção, poesia e vida estão intimamente relacionadas. Procuro articular a experiência (vida) e o experimento (linguagem), a intensidade das ações e do desejo e a densidade construída na/pela linguagem. É como digo em um de meus poemas: “é preciso alimentar a loucura que carregamos na mochila”, e esse alimento é o campo do sensível a que estou inserido: são as imagens cotidianas que me atravessam, são as linguagens artísticas que consumo, é a minha companheira, são os meus gatos, os peixes, o cheiro do café – logo as questões que envolvem vida e linguagem criam um campo de comunicação e ressonâncias que resultam em uma costura íntima entre vida e poesia – poesia/viva. Interessa-me essa contaminação ente os campos, até porque são indissociáveis. Nessa primeira década dos 2000 ficou muito em evidência um modo de fazer poesia em que o sujeito e o sentimento foram retirados do texto, resultando em um artefato insípido – terrivelmente limpo, sem rugas, sem ruídos, na qual a única marca humana é a própria linguagem. Não me atrai essa poesia em que a linguagem se torna um fim em si mesmo, onde o texto poético parece mais uma charada sem resposta – hermética demais.

Adriano – Há diversas sinestesias, assim como referências musicais e até mesmo astrológicas. Como esses aspectos influenciam vida e poesia?

Demetrios – Interessante como tudo que está à nossa volta se torna material para poesia. As sinestesias que você menciona são inevitáveis em meus poemas, pois o que me atravessa e interfere na minha percepção sensorial termina ocupando um lugar no momento em que escrevo. As cores, os sabores e os cheiros são mencionados constantemente, como por exemplo: “sinto o cheiro de teus movimentos coloridos violando minhas brânquias”, ou então “tua alma de planta ornamental tem gosto azulado”. Mas as experiências sensoriais são (re)produzidas poeticamente de forma atravessada, deslocando suas correspondências originais. Com relação às referências citadas dentro dos meus textos, elas são muitas e diversas principalmente no que diz respeito à música. Sou uma pessoa que se movimenta pela música, por trilhas sonoras e, desse modo, a música e a atitude de algumas bandas e estilos musicais influenciam muito minha escrita como, por exemplo: The Doors, Velvet Underground, Radiohead, Elliot Smith, Tom Zé, Afrossambas, Nação Zumbi, percussão de terreiro e por aí vai. Escrevo na maioria das vezes, mas nem sempre, no ritmo do rock e imaginando os quadros de Chagal, as fotografias de Brassaï, as pinturas de Basquiat e automaticamente entremeando com os acontecimentos do meu cotidiano e da minha vida. Utilizo as referências da música, da pintura e do cinema para compor uma teia semântica em que uma área empresta sentido a outra e assim embaralho as coisas produzindo imagens insólitas – “como peixes cegos vagamos por cidades esquecidas e praças ensolaradas que Pollock desmantelava com seu pincel de canivetes”. Certa vez, o poeta Roberto Piva disse em uma entrevista que “uma poesia sem música, sem jogo de cintura, é uma poesia rígida”, e ele tem toda razão. Nessa dança de salão ou de terreiro é o som que mistura os elementos da alquimia do verbo.

Adriano – Como está sendo a repercussão do Insólito?

Demetrios – Ainda é cedo para avaliar, porque o lançamento ainda está recente. As ressonâncias de um livro de poemas demoram a acontecer. Penso que é no decorrer de 2012 que Insólito vai criar seus caminhos. No início de fevereiro vou fazer uns 2 lançamentos em Fortaleza e depois em Pedro II – com o tempo ele vai se espalhar e ganhar os seus leitores. Mas de todo modo, tenho ouvido coisas boas e espero que as pessoas gostem do livro.

Adriano – Você faz parte do grupo literário Academia Onírica. Como se dá esse convívio artístico em relação à sua produção literária?

Demetrios – Tem sido muito importante o exercício de trabalhar em coletivo, pois a Academia Onírica é formada por 6 pessoas que articulam os eventos e os demais trabalhos (revista, cd, zine), contudo têm mais pessoas envolvidas nesse projeto (músicos, fotógrafos, artistas plásticos, videomakers, escritores) e o legal é que o debate em torno das linguagens artísticas é bastante amplo. Essa teia que a AO vem construíndo desde janeiro de 2010 tem proporcionado para todos nós uma maior circulação e visibilidade de nossos trabalhos coletivos e individuais. Interessante que depois que formamos o grupo, todos foram mais instigados a escrever e logo a produção de aumentou, bem como o nosso diálogo ficou mais próximo, passamos a contribuir um com o outro de modo íntimo. Às vezes escrevo um poema e mostro para o Thiago E ou o Valadares e eles dão alguma ideia e as coisas seguem. O contrário também acontece. Alguns detalhes de Insólito foram pensados dentro desse contexto e até mesmo o lançamento, que aconteceu com um recital e a participação dos amigos da AO.

p

Demetrios Galvão nasceu e vive na cidade de Teresina/PI. É poeta, editor e professor. Autor dos livros de poemas Fractais Semióticos (2005), Insólito (2011), Bifurcações (2014), O Avesso da Lâmpada (2017), Reabitar (2019) e do objeto poético Capsular (2015). Em 2005 lançou o CD de poemas Um Pandemônio Léxico no Arquipélago Parabólico. Participou do coletivo poético Academia Onírica e foi um dos editores do blog Poesia Tarja Preta (2010-2012) e da AO-Revista (2011-2012). Atualmente edita a revista Acrobata.

Adriano Lobão Aragão é autor de Os intrépidos andarilhos e outras margens (romance, 2012) e Destinerário (poemas, 2019), dentre outros. www.adrianolobao.com.br

Poesia reunida, Graça Vilhena

VILHENA, Graça. Poesia reunida. Teresina: Quimera, 2018.

– Volume reunindo Em todo canto (1997) e Pedra de cantaria (2013)
_________________

TUA

São minhas essas margens
ombros do rio em que choras
guardando teus peixes
e aflição em correnteza.

É minha a chama
que faz arder a tua imagem fina
e empluma o teu voo.

É teu esse amor que arquiteta
e compõe a nuvem em que pousas
para secar a saliva dos teus vícios.

.

COISAS SIMPLES

também tive amor sem cura
que enterrei agasalhado
na bainha de um punhal

hoje quero coisas simples
sem seiva como os gravetos
que o vento não mais assusta
e se quebram sem doer

.
p

Maria das Graças Pinheiro Gonçalves Vilhena nasceu em Teresina, em 10-02-1949. É poetisa e contista, participante da Geração Mimeógrafo ou Geração 70. Formada em Letras, pela Universidade Federal do Piauí e tem especialização em Língua Portuguesa, pela PUC-SP. Leciona Literatura e Redação, no Instituto Dom Barreto. Autora de: Passo a pássaro (poesia, 1997, com William Melo Soares); Em todo canto (poesia, 1997); O jornaleiro de gesso (contos, 2002); Pedra de cantaria (poesia, 2013).

Ô de casa!

SANTOS, Cineas (org). Ô de casa! Teresina: Editora Nossa, 1977.

Coletânea de contos, incluindo Dodô Macedo, João de Lima, João Carneiro, Paulo Machado, Cineas Santos, Magalhães da Costa, Geraldo Borges, Durvalino Couto, Arnaldo Albuquerque, João Luiz, Pedro Guerra, Will Prado, Menezes y Morais, Francisco Miguel de Moura, J. Carlos de Santana Cruz, Assaí Campelo e Rubervam Du Nascimento.

Capa: foto de de Fernando Campos e arte-final de Fábio Torres

Impressão: Comepi

Mais que imperfeito, Fred Maia

MAIA, Fred. Mais que imperfeito. Porto Alegre: Ameop, 2004.

.

CIDADE

um sobrado
assombra a Consolação
emparelhado
o cemitério dorme
seus mortos sossegado
o sobrado
é morto vivo
no passado
a luz no andar de cima
olho ensimesmado
que os olhos dos que estão
aqui desse lado
fecham-se acordados

__________

pequeno jarro
só um traço desenhado
broto de bambu

__________

sol inclinado
o aquário vazio prisma
peixes imaginários

p

_____________

Fred Maia é piauiense de Oeiras. Poeta, educador social e jornalista. Publicou Um rock por nada (Arte Pau Brasil/SP); eupor (Nômades/SP); Plínio Marcos – A crônica dos que não têm voz (Boitempo/SP – Ensaio biográfico, com parceria de Vinicius Pinheiro e Javier Contreras).

Mátria, Laís Romero

ROMERO, Laís. Mátria. São Paulo: Paraquedas, 2023.

.

MÁTRIA

Meu corpo encontrou um ritmo
meu corpo abrigo
país dos meus filhos
meu corpo ferido frio
corpo dormindo
capataz dos meus delírios
corpo vasto território
corpo de corte e tintura
mapa em relevo da dor
meu corpo sereno
corpo, pelos e suor
meu corpo diz e asseguro
estar a caminho
no presente
e nos medos multiplicação

Meu corpo aberto e preciso
Coragem, eu insisto

.

ESTUDO Nº 7

Dos teus olhos de âmbar
escapa a minha dança
e sobram outros segredos

Duros aspectos do medo
sinto meu pulso revidar
um ritmo atravessado em garganta e
ainda em dança em dança
no âmbar de nossos anseios

.

p


_____________________

Laís Romero nasceu em Teresina, PI, em 1986. Mestra em Letras pela UESPI e especialista em escrita e criação pela Unifor. Atualmente, trabalha como revisora e editora. Mátria é sua primeira publicação solo.

 

 

Refeição do tempo, Caio Negreiros

NEGREIROS, Caio. Refeição do tempo. Teresina: Avant Garde, 2021.

.

maresia
não desfez os nós
restou o mar

.

SÃO BENEDITO

Na melhor fatia dos anos 80, jovens se aglomeravam no adro da São Benedito, até o som estridente da sirene do colégio Cursão avisar o início das aulas.

O tempo insidioso não ousava deixar marcas. O tempo infinito dos cartazes curiosos do Rex; ou da efemeridade de uma ficha de fliperama do velho Clube dos Diários.

Mas ninguém se iluda com este senhor e suas cascas. Não há reforma que apague o açoite, ainda que em silêncio e invisível.

.

p

_____________________

Caio Negreiros é ex-atleta aposentado compulsoriamente. Estuda música com sucesso duvidoso. Poeta e Procurador do Município de Teresina. É autor dos livros: A decadência das horas, Portal do Hades e Sobras do dia (Edições Não-Ser).

A inconstância dos fluxos, Demetrios Galvão

GALVÃO, Demetrios. A inconstância dos fluxos. São Paulo: Editora Primata, 2023.

.

A INCONSTÂNCIA DOS FLUXOS

uma porção de vida felina
dorme em minhas mãos
observo a força vibrar
no corpo de 200 gramas

por um instante, penso
na poeira cósmica que nos cobre
do nascer do mundo ao algoritmo
uma inteligência artificial
que planeja o nosso futuro

esse lapso que dura
uma eternidade de incertezas
oferece margens difíceis de saber
onde pôr os pés
qual melhor forma de plantar?
para qual deus dar atenção?

agora mesmo
uma performance pandêmica
sincroniza a atenção dos espectadores

no seu espetáculo mortífero
transforma nomes de família
em vazio numérico

em algum lugar do país
uma pessoa precisa encher os pulmões de ar
mas a atendente diz que está em falta
explica que é uma espécie de castigo
por maltratarem o planeta

volto para a pequena porção de vida
em minhas mãos
contemplo sua saúde
pelo rastro que deixa
pela vontade de comer de hora em hora

uma infância se prepara para a inconstância dos fluxos.

.

O MUNDO FEITO COM AS MÃOS

no universo antropomágico
do mundo feito com as mãos
existem seres bonitos em sua simplicidade
uns visíveis e outros invisíveis
essa comunhão que frutifica
uma espiritualidade suava

de mãos dadas com a mística do mundo
o ciclo cósmico renova ruínas
e a força transformadora
produz alimentos
molda idades abstratas
reluz palavras na escuridão

a humanidade come na mão da natureza

.

p

_____________________

Demetrios Galvão (Teresina, PI, 1979) é professor, poeta e editor. Autor dos livros de poemas Fractais semióticos (2005), Insólito (2011), Bifurcações (2014), O avesso da lâmpada (2017), Reabitar (2019) e do objeto poético Capsular (2015). Tem poemas publicados em diversas antologias e em revistas literárias. É coeditor da revista Acrobata, em atividade desde 2013. www.revistaacrobata.com.br

Big sentido, Durvalino Couto Filho

COUTO FILHO, Durvalino. Big sentido. Teresina: Navilouca Produções, 2022.
.
.
BIG SENTIDO

A saber: os sentidos somam cinco
Para nos dar essencial atenção
Olfato paladar tato e visão
Mais a audição:
É tudo que sinto

Mas sei que há o sentido poético
Um sentido com frequência e altura
Senso que faz da palavra figura
Como diz Décio sendo um tanto hermético
Esse sentido que mexe comigo

Misterioso e torpe em sua essência
Modo de dizer um tanto ambíguo
Mas que persiste em sua permanência
Um Big Sentido se fez meu amigo
Aquele que relativiza minha existência

.
DEPOIS

fomos
desfeitos
um para o outro

p

______________________
Durvalino Couto Filho nasceu em Teresina, a 20 de outubro de 1953. Trabalhou em vários jornais alternativos com colegas de geração, destacando-se o jornal Gramma. Atuou como letrista e baterista na música piauiense, com inúmeras parcerias na cena musical. Trabalha com publicidade e já atuou também como ator. Lançou seu primeiro livro de poemas, Os caçadores de prosódias, em 1994.

Loucuras sóbrias, Paulo Tabatinga

TABATINGA, Paulo. Loucuras sóbrias. Teresina: Editoração Caseira, 2023.
.

.

ROMÂNTICO

de tão romântico
ele sentida saudade
da saudade dos outros

EPITÁFIO

vocês pensam que eu morri!

p

______________________

Paulo Tabatinga é piauiense de Teresina. Publicou Sentimentos, Somente para bêbados, A cidade sitiada, A cidade vigiada e A cidade distópica. Tem poemas publicados nas redes  sociais e participou de várias exposições fotográficas em Teresina.

 

Na caverna de Platão, J.L. Rocha do Nascimento

NASCIMENTO, J.L. Rocha do. Na caverna de Platão e outros contos breves. Guaratinguetá: Penalux, 2023.
.

.

TÁRTARO

– No portal do inferno, Hades organiza a fila:
– Genocida?
– Falando comigo?
– Sim. Você não é aquele que disse?
– Sim, sou seu mesmo.
– Certo, os dados conferem.
– O que houve com o seu rosto?
– Excesso de exposição ao…
– Poupe-me dos detalhes, sei do que se trata.
– Qual a fila?
– Primeira à direita. Em seguida, siga em frente. No final você encontrará Caronte, que o aguarda na margem do rio. E não esqueça: as três moedas não podem ser falsas.

p

______________________

João Luiz Rocha do Nascimento (Oeiras, PI, 1959) é escritor, professor e magistrado. Mestre e doutor em Direito Público pela Unisinos-RS. Autor, dentre outros, de Os pés descalços de Ava Gardner (contos, 2020) e Na caverna de Platão (contos, 2023)